Hoje meu país

A pequena jovem se martirizava

o homem senescente temia e morria

o fundo das favelas úmido e negro

a mulher jovem se frustrava e lágrimas

corriam de seus belos olhos.

O amor se desintegrava à distância

O menino adolescente se armava

o bravo trabalhador tinha esperanças

a mãe alimentava os filhos

o físico e o espírito

o inconsciente coletivo estava amargurado

como nunca

meu povo esperava a salvação

o vírus amordaçava, estremecia e vencia

a resistência dos que mais viveram

decretava sua ida antes de vir a locomotiva

suas almas se desprendiam do corpo sólido

isolado, afastado e discriminado

em sua solidão implacável post-mortem

há tempos sonhei viver numa nação

hoje me definho, torno-me um poço cego de lamentos.

 * Amadeu Garrido de Paula, poeta e ensaista literário, é advogado, atuando há mais de 40 anos em defesa de causas relacionadas à Justiça do Trabalho e ao Direito Constitucional, Empresarial e Sindical. Fundador do Escritório Garrido de Paula Advocacia e autor dos livros: “Universo Invisível” e “Poesia & Prosa sob a Tempestade”. Ambos à venda na Livraria Cultura.

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Bruna Lyra Raicoski

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