O ano nu

O ano do mundo estremecido

via-se pássaros estranhos

boquiabertos no jardim vazio.

Mocinhas sonhadoras quietas

pequenas imaginações de amor.

Engravatados procuravam o sentido

da revolta da natureza

que os fizera desbancados.

Médicos convidados à guerra

emprumavam-se em pelotões.

Improvisavam-se UTI’s

impulsionadas por corruptos.

País de frustrações

desde nossas minas, ouro e pérolas,

diamantes de mundos europeus.

A ideia de sermos amistosos

enganara direitos

deixamos correr em nossas costas

o bicho espinhoso de nome injusto.

Claro que amamos

aos sábados e muitos nos casamos

nos meses meio gélidos de maio.

Nossas mulheres foram fiéis

aos católicos romanos.

Nossos homens se embeberam

muitos sábados e domingos

na canto da birosca.

Alguns descarregavam

a bílis em sua companheiras.

Bons comunistas e capitalistas

foram capazes de pontificar

em diversos locais públicos.

Na Justiça do Trabalho

buscaram dez em dez parcelas

sob solenes juízes togados.

As mangueiras e casas solenes

rareavam em nossa São Paulo.

Cidade surpresa abrigava

algumas perdidas construções

góticas ao lado de igrejas.

Tremiam nossos pobres

ao pensar no que seguiria.

Nossos ricos tremiam

ao esvaziar copos de uísque.

Só restava o rumo

dos que se amavam loucamente

em tempo preconcebido.                              

e não morro de ócio.

* Amadeu Garrido de Paula, poeta e ensaista literário, é advogado, atuando há mais de 40 anos em defesa de causas relacionadas à Justiça do Trabalho e ao Direito Constitucional, Empresarial e Sindical. Fundador do Escritório Garrido de Paula Advocacia e autor dos livros: “Universo Invisível” e “Poesia & Prosa sob a Tempestade”. Ambos à venda na Livraria Cultura.

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DE LEON COMUNICAÇÕES

Bruna Lyra Raicoski

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