S. Paulo, centro velho, 1960.

Minhas pernas subiam todos os dias a galeria

que demandava o azáfama nobre de São Paulo

às sombras dos  sobradões de estilo português

em que se inseriam as óticas, as camisarias,

as casas de tabaco e roupas finas

óticas e consertarias de armas de caça.

Na “bella epoque” de nosso centro velho

os homens engravatados demandavam

a velha faculdade e o velho Tribunal.

Os elevadores pantográficos talhavam

o charme guiado pelos ascensoristas com ares

de corregedores dos palacetes

que várias vezes vislumbravam

 ao pervagá-los horizontalmente.

 Conheciam-nos e a seus figurantes

como se conhecem as estrelas.

O invariável Itamaraty, seu Chopp e seus

pratos do dia que tornavam felizes

aqueles que à tarde tratariam de processos

e escrituras buriladas a mãos lentas e imponentes.

No segundo crepúsculo voltava pela galeria

onde debutava a única escada rolante

que aparentava ir e vir

ao futuro e ao passado.

Voltaria resignado aos cantos periféricos

aos pontos finais e às despedidas dos motoristas

que vaticinavam bom descanso

àquela gente exausta,

que iria ouvir o rádio, amar e sonhar;

regariam as manhãs e suas infalíveis garoas.

* Amadeu Garrido de Paula, poeta e ensaista literário, é advogado, atuando há mais de 40 anos em defesa de causas relacionadas à Justiça do Trabalho e ao Direito Constitucional, Empresarial e Sindical. Fundador do Escritório Garrido de Paula Advocacia e autor dos livros: “Universo Invisível” e “Poesia & Prosa sob a Tempestade”. Ambos à venda na Livraria Cultura.

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DE LEON COMUNICAÇÕES

Bruna Lyra Raicoski

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