O rio e sua filosofia

Eram insensatas as lágrimas daquele rio

vertidas quando partia o grego da passagem;

ele voltava a ser sem mudanças e sentia o frio

quando o filósofo o visitava em sua margem.

O implacável Heráclito era velho e enfermo

e o deixava saudoso quando seguia  sua vida;

o rio chorava na volta pois já não era o mesmo

a visita só preparava a triste hora da partida.

Eram sós, seres isolados, solitários, mutantes,

cada qual assumia sempre novas qualidades,

quando não se abraçavam em lúdicos instantes.

Os Dez Oradores Áticos celebravam o mutante

vez ou outra Sócrates tomava em suas fontes

a água mutável que o fazia rio e pensador errante.

* Amadeu Garrido de Paula, poeta e ensaista literário, é advogado, atuando há mais de 40 anos em defesa de causas relacionadas à Justiça do Trabalho e ao Direito Constitucional, Empresarial e Sindical. Fundador do Escritório Garrido de Paula Advocacia e autor dos livros: “Universo Invisível” e “Poesia & Prosa sob a Tempestade”. Ambos à venda na Livraria Cultura.

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DE LEON COMUNICAÇÕES

Bruna Lyra Raicoski

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