O velho Nilo

Correm águas civilizatórias no deserto

como que a abençoar os primeiros passos

de homens lúcidos destinados a fomentar

a experiência humana de heróis e lendas;

rio que propiciava  arroz e o fôlego vital

no lugar que justa e sugestivamente seria

nominado pela história de crescente fértil.

Às suas margens umidecentes das poeiras

que antes sufocavam e suplicavam água

reproduzem-se e multiplicam-se homens

e mulheres concebem os filhos da aridez;

tez negra e  enegrecida pelo sol cáustico

desenham hieróglifos para registrar a luz

do rei Sol, Osíris e seus raios milagrosos.

Pouco a pouco levantam-se as pirâmides

pedra a pedra, suor a suor, dores a dores,

daquela legião de homens surpreendentes

que a crença e a fé tornaram os valentes

indômitos e bravos filhos dos desertos;

sua sina é a luta e a arte tosca e rupestre

que celebraram vitórias em horas alegres.

Assentaram a primeira organização política

que já cindiu o mundo entre os mandantes

e comandados que serviam a dois senhores.

Delinearam a persistência dos construtores

para servir a faraós e a produzidas damas;

fizeram por séculos seus eternos e opressivos

ninhos das múmias,  cadáveres aconchegados.

* Amadeu Garrido de Paula, poeta e ensaista literário, é advogado, atuando há mais de 40 anos em defesa de causas relacionadas à Justiça do Trabalho e ao Direito Constitucional, Empresarial e Sindical. Fundador do Escritório Garrido de Paula Advocacia e autor dos livros: “Universo Invisível” e “Poesia & Prosa sob a Tempestade”. Ambos à venda na Livraria Cultura.

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DE LEON COMUNICAÇÕES

Bruna Lyra Raicoski

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