O drama

 A platitude se apossa das ondas

que agitam os meandros dos seres

abre as consciências à segura razão

para lançar ao longe ferros e ferrugem

Do pensar e repensar fés e certezas

sem ancorar o barco com firmeza

no caminho que se abre ao homem

fruto da indecisão e dos vácuos tensos.

Essa planície pedregosa de dúvidas

sem jamais atingir os róseos horizontes

faz do homem o joguete de séculos

que se acalma no furor rubro das seitas.

Ao acalmar o coração ele adormece

Sonha com pássaros de ocultas cores

que cantam formados em orquestras

absolutamente harmônicas e sinceras.

Volta a ser tentado pelas dúvidas

que o fazem joguete de velhos deuses;

fazem  com que a razão retome as rédeas

dos garanhões que conduzem a vida

como se fosse Paris da Idade Média

solavancando por buracos e poças

que faziam saltar as damas nobres

em suas carruagens tratadas com verniz.

Ela veio para superar o medo das mortes

ou das dúvidas inquietas dos fracos nervos;

substituir pela razão as alucinações das trevas

que destroem impiedosamente  a paz dos terços.

Assim vemos os outrora inquietos

homens à deriva sem um mísero porto

cumprir rituais, rezar longas novenas

e caminhar em procissões como soldados.

A paz talvez também tenha sido o resgate

de homens de pensamento que absorveram

a dança enrodilhada dos elétrons e o desate

das causas do ser, essas labirínticas estruturas.

* Amadeu Garrido de Paula, poeta e ensaista literário, é advogado, atuando há mais de 40 anos em defesa de causas relacionadas à Justiça do Trabalho e ao Direito Constitucional, Empresarial e Sindical. Fundador do Escritório Garrido de Paula Advocacia e autor dos livros: “Universo Invisível” e “Poesia & Prosa sob a Tempestade”. Ambos à venda na Livraria Cultura.

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DE LEON COMUNICAÇÕES

Bruna Lyra Raicoski

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