Esgrima

O mais infame dos jogos dos valentes

é o esgrima de lâminas mortais.

Envolve o bate-bate das injúrias

os ataques e as vinganças espúrias.

Refletem as espadas o asco e o ódio

que deveriam estar cobertos pelo pó

das areias divinas que disseminam

a compaixão e o amor entre os mortais.

Batem-se, matam e morrem, talvez,

por mentiras e paixões equivocadas

florescentes sobre laços incomunicáveis.

Dividem os homens, as mulheres e o mundo,

num amontoado repelente de agressões

sórdidas, grosseiras, cruéis predominâncias

do mais forte e do fraco que se sente

o mais sábio e dominante.

O barulho perfurante das lanças da raça

arrebenta os tímpanos e anuncia a desgraça

do amor traído e da dopamina dos traidores

seres e instintos que corroem o tempo

e precipitam seu fim, chamado morte

dos heróis corajosos e dos corações nobres.

 Quando a arma de ponta perfura a alma

 baixa a escuridão das noites unânimes

 sem nenhuma relutante estrela

 cujo brilho se apagou depois do rubro beijo celestial.

* Amadeu Garrido de Paula, poeta e ensaista literário, é advogado, atuando há mais de 40 anos em defesa de causas relacionadas à Justiça do Trabalho e ao Direito Constitucional, Empresarial e Sindical. Fundador do Escritório Garrido de Paula Advocacia e autor dos livros: “Universo Invisível” e “Poesia & Prosa sob a Tempestade”. Ambos à venda na Livraria Cultura.

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Bruna Lyra Raicoski

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