Panóplia

Se eu tiver que partir nesta noite num minuto

permita-me Deus que concentre toda atenção

no penúltimo.

Aprendi com Borges que um idioma é uma tradição,

um modo de sentir a realidade, não um arbitrário

repertório de símbolos.

Devanear ao latido de um cão neste começo de noite

e dizer que só naquele momento estou amando a mulher

que me ouve e é recíproca.

Colher, sem nenhum escrúpulo, os frutos doces e amargos

da árvore da vida.

Jamais ter medo de ser, o não ser está fora de questão.

Na vastidão da consciência deste instante

vejo o mortal destino entrar na eternidade

e logo sair aos ventos do fluxo interminável;

somente percebo que embarquei na viagem

do inevitável retorno;

conduz-nos um trem azul ornamentado

de madrepérolas.

Ao escrever sobre esta panóplia de escudos

ruídos

percebo estar certificando vastas ilusões

que são eu, você e raros pontuais amigos

na floresta que desconhecemos e a singramos.

* Amadeu Garrido de Paula, poeta e ensaista literário, é advogado, atuando há mais de 40 anos em defesa de causas relacionadas à Justiça do Trabalho e ao Direito Constitucional, Empresarial e Sindical. Fundador do Escritório Garrido de Paula Advocacia e autor dos livros: “Universo Invisível” e “Poesia & Prosa sob a Tempestade”. Ambos à venda na Livraria Cultura.

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Bruna Lyra Raicoski

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