Em órbita, na pandemia das mortes

Vem de próximo de um século a interrogação fenomenológica sobre o vírus que hoje massacra a humanidade.

De ninguém menos que o filósofo, místico, cristão, fenomenólogo, o religioso que mais se aproximou de Deus e da Vida, Padre Pierre Teilhard de Chardin. Suas projeções hipotéticas, forjadas sob rigoroso estudo e aparentemente paradoxal misticismo científico, não foram fecundadas por nossa geração de sabedoria investigativa, autora de proezas, mas, não adentrando à intimidade da física, da química  e da biologia,  incapazes de evitar este momento trágico em pleno século XXI.

Colhamos uma sua passagem da complexidade da intimidade dos fenômenos: “Na parte mais baixa, em primeiro lugar, encontramos os 92 corpos simples da química (do hidrogênio ao urânio), formados por agrupamento de núcleos atômicos (associados a seus elétrons)”.

Acima deles vem as moléculas formadas por agrupamentos de átomos. Essas moléculas, nos compostos do carbono, podem se tornar enormes. Nos albuminoides (ou proteínas) pode haver milhares de átomos associados; o peso molecular é 68 mil na hemoglobina do sangue.

Acima delas, temos os misteriosos vírus, corpos estranhos, que produzem diversas doenças nos animais e nas plantas e dos quais ainda não sabemos se representam monstruosas moléculas químicas ou infra bactérias já vivas. Seu peso molecular atinge vários milhões!

Subindo um patamar, chegamos às primeiras células, não sei se já se tentou determinar seu conteúdo atômico (hoje o sabemos, graças à física dos microelementos, observação nossa) (certamente bilhões), mas elas representam certamente agrupamento de proteínas.

“E, finalmente, temos o mundo dos seres vivos superiores, cada um deles formado por agrupamento de células; seu conteúdo pode ser avaliado, no caso muito simples da lentilha d’água, em 4×10 átomos.”

Se tais esboços científicos, a quase um século, foram traçados pelo maior religioso de todos os tempos, porquanto demandou entender Deus, Cristo, o Homem e o Mundo não pela bíblia ou pela fé, mas por um incomensurável esforço intelectual para a época no campo das ciências, infelizmente não podemos dizer que sua obra teve continuidade, quanto a seu objeto e fim do conhecimento, pelas gerações seguintes.

O empenho de nossos privilegiados irmãos cientistas, determinado, como tudo, pelo poder político, direcionou-se, como se vê na atual conjuntura, exemplificativamente, à exploração dos sistemas astrológicos, tal qual o solar, mantendo-se dois bravos desbravadores de outros mundos num páramo em nossa órbita, até retornarem ontem à sua amada Terra exitosamente, porém em pleno estremecimento pandêmico do planeta.

Registramos esse aspecto para demonstrar que as virtudes geniais de nossos homens de ciência não se voltaram às prioridades temporais. Antes de qualquer coisa, deveríamos complementar a preocupação de Piere Teilhard de Chardin, para descobrir e classificar todas as intimidades dos fenômenos que rodeiam nossa existência, segundo a inesquecível máxima de Sócrates: “conhece-te a ti mesmo”, antes de tentarmos desvendar as verdades sobre as coisas exteriores.

* Amadeu Garrido de Paula, poeta e ensaista literário, é advogado, atuando há mais de 40 anos em defesa de causas relacionadas à Justiça do Trabalho e ao Direito Constitucional, Empresarial e Sindical. Fundador do Escritório Garrido de Paula Advocacia e autor dos livros: “Universo Invisível” e “Poesia & Prosa sob a Tempestade”. Ambos à venda na Livraria Cultura.

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DE LEON COMUNICAÇÕES

Bruna Lyra Raicoski

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