A um poeta

Engasgar-se com a areia quente do deserto

arrastar-se e suportar as tempestades áridas

vislumbrar várias miragens salvadoras

pensar em viver ou morrer, eis a questão

arranhadura lancinante da solidão.

Imaginar que já lestes Homero, Virgílio 

Cícero, Platão, Dante Alighieri, Borges,

Cecília Meireles, Clarisse Lispector, Drummond,

Guimarães Rosa;  e jogaram-te goela adentro

“As memórias de um sargento de milícias”

e te deliciastes com o bruxo do Cosme Velho.

Entre outras, as sagradas escrituras 

e as mil e uma noites.

As revisões da vida antes da morte

para ti foram um passeio literário

até que embebestes a língua

num oásis que lembrou o jardim

do paraíso.

Refeito, vistes a imagem de Jesus

em sofrência no Calvário.

Suspirates frente às lâminas e os punhais

mas amou como nunca e as fibras da memória

deram-te um beijo, o coração e a alma da eternidade.

* Amadeu Garrido de Paula, poeta e ensaista literário, é advogado, atuando há mais de 40 anos em defesa de causas relacionadas à Justiça do Trabalho e ao Direito Constitucional, Empresarial e Sindical. Fundador do Escritório Garrido de Paula Advocacia e autor dos livros: “Universo Invisível” e “Poesia & Prosa sob a Tempestade”. Ambos à venda na Livraria Cultura.

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DE LEON COMUNICAÇÕES

Bruna Lyra Raicoski

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