As mulheres

Cultivadoras dos embriões humanos

sabem que não se descarta a vida

sugadas em seu leite existencial

por homens

que não raro tombam nas biroscas.

Formaram  grande legião

de anticomunistas

porque jamais creram em Marx

na religião enquanto ópio do povo.

Ainda são as amigas de Jesus

como as que entraram pela noite

escura do Calvário

no meigo entorno do crucificado

que as levou em sua memória do mundo.

Minha mãe supunha que os “paredons”

eram somente

as linhas de fogo dos cristãos imolados.

Talvez esquecida

dos camponeses e dos inimigos políticos

da ditadura do proletariado.

De todo modo certa na repulsa.

Também não cooptadas

pela cantilena da hiena nórdica.

Eleitoras das repúblicas democráticas

não seriam seduzidas pelo lobo da vingança.

Finalmente libertas, muito tempo depois

dos escravos

ainda hoje lutam sem sossego

no fogo paradoxal dos justos

e socorrem os pequenos rebotalhos.

Por nossas mães, irmãs, amores, filhas,

os homens vivem, muitos como víboras.

* Amadeu Garrido de Paula, poeta e ensaista literário, é advogado, atuando há mais de 40 anos em defesa de causas relacionadas à Justiça do Trabalho e ao Direito Constitucional, Empresarial e Sindical. Fundador do Escritório Garrido de Paula Advocacia e autor dos livros: “Universo Invisível” e “Poesia & Prosa sob a Tempestade”. Ambos à venda na Livraria Cultura.

ASSESSORIA

DE LEON COMUNICAÇÕES

Bruna Lyra Raicoski

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