Poesia em tempo de coronavírus

Figuras raras tidas como poetas

munem-se de arpões para fisgar as esperanças

O lamento é unanime e inenarrável

Vai-se à morte como se vai à feira

Recorrem a um de seus maiores,

entre os Andrades, Carlos Drumond, perplexo:

“Tristeza no céu:

No céu também há uma hora melancólica.

Hora difícil, em que a dúvida penetra as almas.

Por que fiz o mundo? Deus se pergunta

e se responde: não sei.

Os anjos olham-no com reprovação,

e plumas caem.

Todas as hipóteses: a graça, a eternidade, o amor

caem, são plumas.

Outra pluma, o céu se desfaz.

Tão manso, nenhum fragor denuncia

o momento entre tudo e nada.

* Amadeu Garrido de Paula, poeta e ensaista literário, é advogado, atuando há mais de 40 anos em defesa de causas relacionadas à Justiça do Trabalho e ao Direito Constitucional, Empresarial e Sindical. Fundador do Escritório Garrido de Paula Advocacia e autor dos livros: “Universo Invisível” e “Poesia & Prosa sob a Tempestade”. Ambos à venda na Livraria Cultura.

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DE LEON COMUNICAÇÕES

Bruna Lyra Raicoski

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