Covid-19

Todos os países e novas manhãs de luta e luto

A velha e culta Europa que se alivia no tempo

A Ásia como sempre embasbaca no pendor autoritário

A África desnuda como desnudos andam seus filhotes

A Oceania e seus contentamentos breves e oceânicos

A América acima do Rio Grande movida a álcool neurótico

As Américas do Centro e do Sul mais uma tragédia

Esta não costumeira e destroçante mesmo dos heróis.

O micro-organismo que desceu de Sierra Maestra

olhos vermelhos para liquidar os homens insanos

O arcano mapa-múndi ganha um colorido cinza.

Gostaria de acreditar piamente no grande Borges

Que neste inverno vislumbrou todos os invernos

Sua crença formidável no destino traçado a todos

Tudo está escrito nas estrelas e prefixado.

Já não sabemos se somos do amor ou do fogo

Tudo pode ser forma de tristeza ou felicidade

Sempre efêmeras nos espíritos instantâneos.

Rezo ao Deus que aplicou essa punição a seus filhos

Que construa a dosimetria da pena aplicada

E estabeleça seu regime progressivo da liberdade

árvores esvoaçantes às margens do rio barrento

Que nos retorne à mansidão contrastante

A aldeia global já rastejou de joelhos nos milhos

Que nosso script esteja no happy end

E o novo homem ético seja o rebento do vírus.

* Amadeu Garrido de Paula, poeta e ensaista literário, é advogado, atuando há mais de 40 anos em defesa de causas relacionadas à Justiça do Trabalho e ao Direito Constitucional, Empresarial e Sindical. Fundador do Escritório Garrido de Paula Advocacia e autor dos livros: “Universo Invisível” e “Poesia & Prosa sob a Tempestade”. Ambos à venda na Livraria Cultura.

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DE LEON COMUNICAÇÕES

Bruna Lyra Raicoski

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