Sonho de uma noite de quarentena

Três amigos da liberdade

dois homens e uma mulher

ela era robusta de corpo e espírito

médica de olhos bons e compreensivos.

Homens da imaginação

advogado e médico

sempre corriam os caminhos

incontáveis do mundo.

Tramavam naquela noite

o modo de resgatar o gene

caçador-coletor

em que se trabalhava pouco

dormia-se muito e sonhava-se

com o amor

e tinha o cardápio

diariamente renovado

antes do verdugo arroz e feijão.

O amor estaria numa festa

preparada pelos homens livres

de espíritos voadores

capazes de superar ciúmes

afinal o reino sem correntes

era cada dia uma aventura

e o espírito mais importante

do que a alma estagnada e o corpo arrastado.

Seu condutor era Shakespeare

e a felicidade estava plantada

num vaso vermelho.

A inteligência das pedras do xadrez

fazia os três sorrirem

orgulhosos da criatividade

que afinal criara a humanidade.

Nenhum dos sonhadores

se amarguraram

ao perceber que acordavam

numa noite de quarentena;

outros sonhos viriam e outras imaginações

e outros risos e outras levezas

a dizimar a praga da história algemada.

* Amadeu Garrido de Paula, poeta e ensaista literário, é advogado, atuando há mais de 40 anos em defesa de causas relacionadas à Justiça do Trabalho e ao Direito Constitucional, Empresarial e Sindical. Fundador do Escritório Garrido de Paula Advocacia e autor dos livros: “Universo Invisível” e “Poesia & Prosa sob a Tempestade”. Ambos à venda na Livraria Cultura.

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DE LEON COMUNICAÇÕES

Bruna Lyra Raicoski

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