Cartas

Sua sequência se deveu a um sábio

A nobreza sempre ocupou o ápice

Do multicolorido astrolábio

Cada um dos homens prefere o zênite.

Nenhuma das cartas é desprezada

Nem mesmo as da cruz algemada e turvas

Certamente o rubro é unânime entre as amadas

Quando as mulheres acariciam as unhas.

Quem perguntar encontrará o ar dissimulado

Nenhuma surpresa entre as enganações humanas

O rei, a dama e o valete mandam também no carteado.

A verdade profunda, porém, diz que um só mouro

Falava por trás de todos os cigarros andaluzes

Só uma carta satisfazia a ambição dos homens: o ás de ouro.

* Amadeu Garrido de Paula, poeta e ensaista literário, é advogado, atuando há mais de 40 anos em defesa de causas relacionadas à Justiça do Trabalho e ao Direito Constitucional, Empresarial e Sindical. Fundador do Escritório Garrido de Paula Advocacia e autor dos livros: “Universo Invisível” e “Poesia & Prosa sob a Tempestade”. Ambos à venda na Livraria Cultura.

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