O apóstolo Paulo de Tarso na ficção do escritor Jorge Luís Borges

Amadeu Garrido de Paula

O clarão na entrada de Damasco inspirou um dos mais memoráveis textos de Borges.

“Aconteceu então o que não consigo esquecer nem comunicar. Aconteceu a união com a divindade, com o universo (não sei se essas palavras diferem). O êxtase não repete seus símbolos, existe quem tenha visto Deus num clarão, existe quem tenha percebido numa espada ou nos círculos de uma rosa. Eu vi numa Roda altíssima que não estava diante de meus olhos, nem atrás, nem de lado, mas em toda parte, ao mesmo tempo. Essa Roda era feita de água, mas também de fogo, e era (embora se visse a borda) infinita. Entretecidas, formavam-na todas as coisas que serão, que são e que foram, e eu era um dos fios daquela trama total, e Pedro  de Alvarado, que me torturou, era outro. Ali estavam as causas e os efeitos e me bastava ver aquela Roda para tudo entender, infindavelmente. Ó felicidade de entender,   maior que a de imaginar ou de sentir! Vi o Universo e vi os desígnios íntimos do Universo. Vi as origens que o Livro dos Comuns narra. Vi as montanhas que surgiram da água, vi os primeiros homens de pau, vi as barricas que se voltavam contra os homens, vi os cães que lhes destroçavam o rosto. Vi o Deus sem rosto que existe atrás dos Deuses. Vi infinitos processos que constituíam uma única felicidade…”. (“O Aleph”, pgs. 108/109).

* Sobre o autor


Amadeu Garrido de Paula, poeta e ensaista literário, é advogado, atuando há mais de 40 anos em defesa de causas relacionadas à Justiça do Trabalho e ao Direito Constitucional, Empresarial e Sindical. Fundador do Escritório Garrido de Paula Advocacia e autor dos livros:“ Universo Invisível” e “ Poesia & Prosa sob a Tempestade”. Ambos à venda na Livraria Cultura.  Visite também o blog: www.amadeugarridodepaula.com.br .

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