O ópio e os lugares-comuns

Intrigam-me sempre. Sem embasamento científico, solidificam-se pelo “correio popular”.

Os avançados americanos estão chafurdados na dúvida do ópio. Fala-se em centenas de óbitos ou lesões incapacitantes.

Na história, a droga teve importante papel na defesa do homem contra as lancinantes dores de dentes.

Tomás de Quincey travou célebre combates hermenêuticos com Charles Baudelaire sobre o tema. Ambos foram considerados por Borges, o genial argentino, como os melhores literatos ingleses. Não obstante, dependentes do misterioso fruto da papoula. Traz luzes, lesiona e mata? Além dessa contenda, poucos estudos científicos clarificam o impasse. 

É óbvio que, em altas dosagens e como se verifica no passado, companheiro do vinho e do haxixe, trazia consequências dramáticas. 

Porém, ninguém descreve com clareza os ópios e ópios. Por exemplo, entre duas fórmulas legalizadas, a morfina se encontra a dez escalas maiores e, portanto, comprometedoras, do que o cloridato de tramadol, utilizado até em crianças para aliviar suas dores. Evidentemente, por cautela os médicos recomendam períodos curtos; não por clareza da ciência.

Se não tivesse nenhuma virtude, não teríamos tido as duas Guerras do Ópio, em 1839-42 e 1856-60, entre o Reino Unido da Grã-Bretanha, a Irlanda e o Império Qing (China atual). Produzido na Índia, de vidas longas e transportado pelo Império Otomano. Em 1835 a China importava 450 toneladas de ópio e sua interrupção abrupta deu lugar aos soldados, droga muito mais letal.

Cremos caber aos EUA, epicentro nuclear e duro do que ainda é um mistério, sem o obscurantismo de hoje que só conhece dinheiro, desenvolver em suas Universidades estudos verdadeiramente científicos, testados, principalmente para definir dosagens, intercorrências, uso e tempo de vida humana e idades, enfim, o bem e o mal, perquirição que até este momento só serviu a proclamar a ignorância do homem.

Amadeu Garrido de Paulaé Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.

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