Frei Chico

Seu nome emana de uma tonsura, não de adesão eclesiástica.

Como sabem, é irmão de Lula.

Levou ao Sindicato para tirá-lo do ócio nas horas vagas.

Membro atuante e intelectualmente bem aquinhoado do extinto Partido Comunista Brasileiro.

Não travou, à época, nenhum compartilhamento político com o irmão, porque este era ferrenhamente anticomunista. Declarava que os comunistas só sabiam “cochichar ao pé da orelha”, como o fez num programa televisivo que já empolgava aqueles momentos: “Roda Viva”. Daí a propagação do nome do ex-Presidente pela Revista Veja, em matéria de capa, seu início mediático que não reverteu.

Frei Chico não votava no irmão e tampouco fazia sua campanha. Tinha suas próprias preferências.

Eleito o irmão, aposentado com os vencimentos do sistema geral cuja “grandeza” conhecemos, preferia passear pelas ruas de São Bernardo do Campo.

Até que o irmão o convidou para atuar junto à Odebrechet. Sindicalista, poderia estabelecer uma promissora ponte de entendimento capital-trabalho. Espécie de “relações humanas” às avessas. Considerou boa ideia e passou a receber uma paga entre 3 e 5 mil reais mensais da Odebrecht.

Assim se passaram anos. A ininterrupta interlocução a que foi contratado é plenamente comprovável.

Nunca se interessou pelos assuntos do governo e, por isso, nada sabia (de verdade) sobre a Petrobrás e a Odebrechet. Era simplesmente contratado de uma grande empresa, com salário ínfimo.

Acumulem 5 mil e o 13º por um ano. São 65. Multipliquem por quase dez anos e adicionem juros e correção monetária.

Chega-se ao milhão que a imprensa divulgou ter Frei Chico recebido da empresa, em consórcio com os atos corruptos atribuídos a seu irmão Presidente.

A sina de Frei Chico é a travessia de um deserto tórrido, de areias levianas que arranham as entranhas.

Compreensível quando um grupo de aranhas mortíferas assume poderes e instituições, fortes na convicção de que não se vence por ideias, mas por desclassificação pessoal dos adversários e de suas famílias, em que a dor parece ser mais pungente.

Amadeu Garrido de Paulaé Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.

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