Quando conhecimentos diplomáticos se confundem com hambúrgueres e redes sociais

Nosso eminente professor de direito internacional público e grande diplomata Celso Láfer foi definitivo ao demonstrar a insolência do Presidente Jair Bolsonaro ao indicar um filho para o cargo de Embaixador do Brasil nos EUA.

Primeiro, destaca-se a diferença abismal entre representante de governo, de um pessoa, e representante de um Estado organizado. Os embaixadores são representantes estatais. Daí a falácia do Presidente ao dizer que se filho Eduardo será seu preposto junto a Trump. Assim como as pessoas jurídicas são distintas das de seus membros, o Estado é distinto de governo.

Nosso Embaixador nos EUA não se destina a intercambiar “manifestações” pessoais entre os respectivos governantes. Trocar embargos auriculares.

Por outro lado, nossa conduta internacional tem história. Sua vocação básica provem de nível cultural profundo, haurido no Itamaraty e no Instituto Rio Branco. Cursos e concursos rígidos são suas ferramentas. Não se pode confundir esse conhecimento aprimorado com convulsões intelectuais de tabernas. A diplomacia brasileira tem nome a zelar, respeitabilidade no concerto das nações.

Alguns embaixadores dos EUA foram nomeados, sem originar-se dessas carreiras especiais: Joaquim Nabuco, Oswaldo Aranha, Walther Moreira Sales, Amaral Peixoto, Juracy Magalhães. Agora, o mestre Eduardo Bolsonaro…

As funções destinadas ao Embaixador estão muito além do preparo divulgado pelo filho do Presidente. Conhecer a fundo o país em que se encontra acreditado, seus problemas ocorrentes, suas políticas, suas ocorrências no âmbito dos poderes do Estado. E sintetizá-los com clareza ao país que representa. Do conjunto das informações vindas dos Estados, um país define o que considera mais adequado em matéria de política internacional. É indispensável interagir com as Universidades, as Ongs, os Parlamentos, os ramos judiciários. Muitos desses organismos papai não gosta. O que ele privilegia são as fofocas com seu chefe, ao pé da orelha.

Vê-se que não é o Estado brasileiro que está em jogo, mas o estado de uma casa de praia em que o Presidente tem buscado transformar o Planalto.   

Amadeu Garrido de Paulaé Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.

*Para ler mais textos do autor, acesse o Blog Amadeu Garrido de Paula.

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Bruna Lyra Raicoski
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