Quando só o dinheiro é bom

Em seis meses de um governo perdido, sem planos duráveis e tampouco uma filosofia, a extrema direita, guiada por Jair Bolsonaro, suas compulsões domésticas, palpites militares que o agitam e gurus como pseudo-pensadores e astrólogos, é a mais eloquente demonstração da fragilidade dos governos violentos, ultranacionalistas e proponentes do desenvolvimento tempestuoso, é dizer, da busca de recursos de duvidosa realização.

Fazer de um país que sempre foi – e é – o pulmão do mundo, o que não significa que não se deve explorar convenientemente suas riquezas e valorizar seu território, um imenso deserto de areias agressivas e impróprio à vida, é gerar uma nação de face monstruosa. Um país feio, que já foi o mais belo. Ao lado disso, um povo composto de trabalhadores maltratados, porquanto não basta criar empregos precários, como o permite a legislação trabalhista modificada de modo radical.

Uma nação de zumbis se arrastando por desertos, sob os olhos de uma pequena porção de privilegiados.

O dinheiro pelo dinheiro e somente para alguns.

O povo, entretanto, reagirá, ainda que a agulha de sua bússola não aponte corretamente para o norte.

Consagrado o aforisma de que “políticas são nuvens”, nada disso, felizmente, é definitivo.

É plenamente verossímil a criação de uma nação fundada na liberdade de iniciativa econômica, de intervenção do Estado somente quando efetivamente necessária, e de prestígio das liberdades públicas no seio do Estado Democrático de Direito, ao largo dos extremos.

A consciência melhorada do povo, por força da educação em seu mais amplo espectro, é o único caminho para nosso país, em que deve prevalecer o amor, a compreensão, a cooperação, o conhecimento do direito próprio, mas limitado por suas justas restrições, no rumo da justiça equitativa, antes de sua atração pela força magnética do metal, que guia todas as correntes de pensamento – as ideologias de esquerda e direita, que já deveriam estar sepultadas.

Entregar a felicidade ao dinheiro é o maior equívoco da humanidade até hoje.  O impulso irresistível e tosco, quando se projeta além de nossas necessidades de razoabilidade e dignidade. “Então viu, senhor; ao senhor ele diz claro o que tem em mente. Assim, “se lhe der ouro bastante, casa com uma boneca engonçada ou uma caveirinha, ou com uma bruxa velha sem um só dente na cara, mesmo que tenha doenças para cinquenta e dois cavalos. Enfim, nada é ruim quando o dinheiro é bom.”” (Sheakespeare, “in”  ” A Megera Domada”).

Amadeu Garrido de Paulaé Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.

*Para ler mais textos do autor, acesse o Blog Amadeu Garrido de Paula.

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Bruna Lyra Raicoski
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