O rei e o poder

O arquétipo do rei era o arado do poder
o garfo do capim, roçava a raça chinfrim
o rei se imaginava gordo, forte e sem fim
a malta lhe devia os dias, as noites e o amanhecer.
Para essa alta missão única viera ao mundo
emitir ordens e sanções, ordenhar o rebanho;
só iria atender às súplicas após tomar banho
desde que seu humor não voltasse furibundo.
Soubera que longe, lá pelas bandas orientais
para onde expandira seu império decadente
aflorara nas ruas, entre ramos, o rei dos judeus.
Com certeza não tinha exército de forças
pois lhe comunicaram que eram armas espirituais
elísias abstrações, mulheres, lágrimas e uma tarde de três forcas.

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