O abacateiro

Semente robusta, cindida ao meio, creme-noz

de cuja fenda desabrocham os primeiros troncos

da árvore que nos presenteará seus frutos belos

deliciosos como a manteiga e o caminho da foz.

 

Talvez alguém, incomodado com a fissura ao meio,

rompesse a semente por suas duas partes simétricas

para ver-se livre daquele hiato a romper as métricas;

invejaria a raiz feliz da árvore frondosa  de recheio.

 

Da fissura geométrica crescem os filhos das árvores

que a vão gerar sem serem tombados, para as alturas

E de lá no outono virão os abacates e as vontades.

 

Ninguém mais penderá em fender as grossas árvores

que converterão nossos sítios em respeitáveis sombras

colheremos e conduziremos os verdes a amenos amores.

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