O dragão e a mulher

Aquele dragão era atípico

meio oriental, meio ocidental.

Em alguns dias era o Lung

um dos quatro animais mágicos.

O verão o fazia alegremente Yang

o inverno o entorpecia no Yin

mas tinha a vantagem de fazê-lo pensar

considerava que ninguém o apanhava

fosse armadilha, rede ou uma flecha quando voava.

Passado algum tempo, se tornava ocidental

retratado por Plínio, que o enredava a um elefante

de sangue frio, morria sugado pelo dragão

que também se ia, ao cair sob o peso do elefante.

De todo modo, ele se considerava imbatível

o ser mais terrível e poderoso da terra

a ponto de Jung nele inserir a serpente e o pássaro.

Até que num dia de primavera uma mulher jovem

altiva, de porte esplendoroso, tez larga e olhos profundos,

não afagou sua extrema e débil sensibilidade humana.

O dragão se apaixonou e a enigmática mulher lhe era indiferente,

embora dela ressumbrasse apenas amor.

Ele começou a perder as escamas, os dentes afiados,

até mesmo perdeu as armaduras de pelos amarelos

a barba deixou o focinho e se tornaram lisas as pernas

e a longa cauda de escamas arrepiantes, o hálito insuportável.

Uma mulher de cabelos negros e coração bondoso e altivo

matara o dragão de paixão, o que foi cantado por séculos

em livrescos de bolso que se liam às noites sob lampeões.

Amadeu Garrido de Paulaé Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.

 

*Para ler mais textos do autor, acesse o Blog Amadeu Garrido de Paula.

 

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