Anaximandro

Criação imaginária. Inalcançável, a reprodução é seu movimento. Deus é  o dono de Sua  própria imaginação. Sem tempo e espaço. Quando suas imaginações se aproximam de algo tão imenso e contínuo que poderia considerar-se o termo último da tarefa, novas imaginações são reproduzidas, hipóteses recriadas, o cérebro produtor da imaginação divina é inesgotável.

Verdade incontrariável, o homem é Sua semelhança. Tão incessantes as hipóteses como as Dele. Ao aproximar-se da barreira de chegada, outra se abre. É o descontentamento de Deus e do homem com a paralisia. O movimento é inesgotável. A extinção da matéria resume-se a um aspecto. Depois dela, tudo prossegue, em contínua expansão, tal como o universo.

Não somos, pois, proprietários do infinito. Somos seus criadores. Eles nos deve sua existência, nós sempre imaginamos que vamos capturá-lo; mais uma imaginação, no complexo da propensão incognoscível do atual estágio.

Não há páramo. O mundo, o cosmos, o universo, são apenas algumas das hipóteses. Por eles caminhamos em direção a outras ainda inconcebidas e ignoradas.  Paradoxalmente, queremos cessar, parar no descanso da paz. Em tal suposição críamos outra possibilidade…

O infinito é incompatível com começo, meio e fim. Porque eles se movimentam, ainda que nossa inteligência de hoje seja tosca demais para percebê-lo.  A única alternativa sadia para o  homem é a de bem compreender a fração de tempo em que nos encontramos e nela nos inserirmos, felizes por compreender que jamais cessaremos de formular hipóteses, mas saberemos torná-las humanas. Deus também não cessa de criá-las e, como nós, é também insaciável e humano.

Haverá um tempo, depois de muitos tropeços, que as hipóteses infinitas e circulares girarão somente no círculo do amor. Este atingirá a perfeição. Ao compreender o infinito, todos saberão amar, os povos e os pares viverão momentos absolutos. Não haverá motivos para arrependimento e perdão. Os que recordarem o passado rústico persistirão em seus sonhos. Jovens namorados serão os líderes de todos e ninguém imaginará a finitude.

O grego Anaximandro soube acompanhar o tempo e viajar no infinito e no indeterminado, pelas nuvens do amor,  seu á-peiron.

Amadeu Garrido de Paulaé Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.

 

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