O filósofo e a razão

Não há parnasianismo, simbolismo, realismo, naturalismo, romantismo, quixotismo, epopeias camonianas, surrealismo, sem a simples, precisa e justa razão, que talvez a simples razão desconheça. A razão pode enveredar por nossas intimidades, tal qual um detetive, para descobrir as múltiplas razões de nosssas inclinações e mesmo de nossas idiossincracias, emoções e sofrimentos. A razão de nossas lágrimas e de nossos risos, ou sua imediata antecedente, próxima de uma gama anterior de razões que nela escoaram. Convive-se natural e calmamente com o nascimento e com a morte. Todos têm suas razões, nosso privilegiado cérebro é capaz de desvendá-las, crescentemente, dada sua contínua expansão. O conhecimento de suas funções que a cada dia ampliamos tornará cada vez mais límpida a razão.

Nossa razão, exercida aos últimos sinais, convencem-nos com facilidade que esta vida é incompatível com a emoção violenta, o ódio, as guerras, ameaças, vingaças, julgamentos imediatos e precipitados, políticas falsas e hipócritas, nacionais e internacionais, vivências familiares, não raro seguidoras da mesma hiprocrisia, competições corporativas desleais, a irracionalidade de sobrevier submetendo outros humanos às mais sórdidas iniquidades.

Razão que nos permite tranquilamente a última passagem para o misterioso, com lhaneza aos circunstantes, muitos ou poucos, que ficarão surpresos com nossa frieza racional ante o último desafio, como o ficaram os que viram o moribundo Immanuel Kant, que os cumprimentava com a polidez que sempre caracterizou sua filosofia cândida, à beira do derradeiro suspiro. Até o fim, o pensador de Konigsberg, que pregou olhar ao próximo como fim e não como meio, antes do médico, saudava os homens em sua humanidade, o fim de todos nós, sublime sem estar incólume às maldades, mas, acima de tudo, humanidade, que tropeça e corrige seu andar, seu destino.

Talvez não se repita na história um féretro, não desejado por ele, por sete dias, em que Konigsberg ficou completamente tomada e paralisada por discípulos e admiradores de um homem que soube pôr a razão acima de todos os demais habitantes do íntimo de nossa essência.

Amadeu Garrido de Paula, é Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.

*Para ler mais textos do autor, acesse o Blog Amadeu Garrido de Paula.
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